terça-feira, 29 de setembro de 2009

Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto

Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

Um comentário:

  1. bah, esse soneto é fantástico.
    e tem uma história muito engraçada sobre ele.. o Vinícius o leu no casamento da filha do Chico Buarque (se nao me engano), e no final todos os convidados - muito emocionados -, entoaram junto "que seja eterno enquanto dure". e então o Vinícius, num arroubo de comedismo disse "não! eterno enquanto DURO!" hahaha

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