segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Crônica de Marta Medeiros

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'.
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo,
mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: 'mas agora eu to comendo um lanche com amigos'.
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele.
Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada
ou mais inteligente, ele não volta pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica,
num centro budista e em um curso de cinema...
Nos meses que se seguiram eu me tornei
dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta.
E sabe o que aconteceu?
Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito!
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais,
e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros,
terminei meu próprio livro, ganhei novascolunas em revistas,
quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única!
Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida.
Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo,
aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia,
li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes,
torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.
Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente,
chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar...
Resultado disso tudo: silêncio absoluto...
O tempo passou,
eu continuei acordando e indo dormir todos os dias
querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu...
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher,
que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele.
Ele quem mesmo???
" Plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Coisa de Criança...

"Eu sou criança... E vou crescer assim.
Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores.
Acho graça onde não há sentido. Acho lindo o que não é. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.
O mundo pra mim é grande, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar, nem como funciona o fax.
Verdade seja dita: entender, eu entendo.
Mas não faz diferença, o mundo continua rodando, existe a tal gravidade, papéis entram e saem de máquinas, existem coisas que não precisam ser explicadas.
(Pelo menos para mim).
O que importa é o que faz os meus olhos brilharem, o coração bater forte,
o sorriso saltar da cara.
Eu acho que as pessoas são sempre grandes e às vezes pequenas,igual brinquedo Playmobil.
Enxergo o mundo sempre lindo e às vezes cinza, mas para isso existem o lápis-de-cor e o amor que a gente aprendeu em casa desde cedo.
Tenho um coração maior do que eu, nunca sei minha altura,
tenho o tamanho de um sonho.
E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma e dormir sossegada).
Coragem eu tenho um monte.
Mas medo eu tenho poucos.
Tenho medo de filme de terror, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim.
Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos entram e saem,
nunca sei aonde fui parar.
Mas uma coisa eu digo: eu não páro.
Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou.
Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo...
Amo igual criança.
Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras.
A-M-O.
Amo e invento.Sem restrições. Sem medo.Sem frases cortadas.Sem censura. Sem pudor. Quer me entender? Não precisa.
Quer me amar? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar.
Não importa.
Criança não liga pra preço, não liga pra laço de fita e cartão de relevo.
Criança gosta de beijo, abraço e surpresa!!!"


Autor desconhecido